sábado, 26 de abril de 2014

Beterrabas de Gaia

Me resumo

Por ser, pra ser.
Se somos, não precisamos
Se somos, somos resumidos.

Resumidos em uma lasca de madeira
Em uma gota de suor, num átomo qualquer.
Resumidos somos para ser mais
E não ter mais coisas banais

Somos o resumo do universo
Pintados pelos dedos de Gaia
Com aquarela vermelha

Da cor da beterraba


(Nathally Amariá) 

terça-feira, 25 de março de 2014

Movimento em Câmera Lenta

Dedico este poema para Cláudia, Amarildo, e todos aqueles que tiveram suas vidas roubadas pela incompetência e crueldade de um sistema que era para ser democrático!


Sobe, sobe tudo aqui dentro,
Sobe e vai pra cabeça,
Imagens se criam estroboscópicamente,
Lentamente, subitamente,
Minha mente já não aguenta mais.

Posso sentir as células se juntando,
Fervendo, borbulhando.
Meu estomago vira um caldeirão,
Posso vomitar meu acido em ti
E corroer essa sua crueldade.

Em câmera lenta te torturo,
Dedo por dedo, dente por dente,
Posso ouvir o barulho do alicate:
Trec, trec, trec, trec.

Te como, te rasgo-
Em câmera lenta
Te maltrato

Filhos da puta!


(Nathally Amariá)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Carrinho da Montanha Russa

Não podemos  ter tudo o que quisermos, mas por que? Por que temos que escolher entre uma bicicleta e uma moto? Por que temos que escolher entre o liso e o encaracolado? Por que temos que escolher entre o preto e o branco? Por que temos que escolher ?
Ouvi isso esses dias, estava passando pelo centro da cidade e do nada ouço uma menina com um alto falante gritando. Aquilo tudo me afetou e parei para refletir sobre o que ela dizia. E cheguei a conclusão que ela tem razão, por que devemos escolher?
Ter o que quisermos não é errado, muito menos pecado. Estamos sendo imobilizados, não podemos dizer em voz alta o que pensamos, o que queremos, o que desejamos. Amar se tornou pecado, sexo virou traição, dizer o que pensa se transformou em grosseria, querer e buscar a praticidade faz de você um ser estranho.
Eu percorro meu caminho de forma serena, e mesmo assim, os dias passam como uma montanha russa, em um dia estamos subindo, tranquilos, com carinho e amor, e no outro descemos, discutindo o por que da cor do trilho ser preta e o carrinho laranja, sim, discutindo banalidades que desgastam qualquer alma, junto com o carrinho descendo em alta velocidade falamos o que não queríamos, o que foi mal escutado por causa da velocidade, o coração aperta, se transforma no trilho, as lagrimas caem como chuva ácida fazendo o olhos não aguentarem mais tanta turbulência.
Depois o carrinho sobe novamente, e voltamos com o mar de flores, cada coisa em seu lugar. Mas há um momento em que ele está andando reto, sem subir e sem descer, e nesse momento a gente vê  que realmente essa montanha russa não vai ter fim. E aí percebemos que não podemos fazer nada, a gente não consegue sair, mas não aguentamos mais isso. E tudo por causa de uma sociedade hipócrita, que julga o amor, que faz as pessoas abrirem mão daquilo que a tanto faz feliz.
A vida é uma montanha russa, por que temos que ficar no mesmo carrinho sempre?  Não precisamos de todos os carrinhos, mas por que mudar de carrinho faz você ser um traidor? Por acaso o amor não continua? Proibir alguém de trocar de carrinho por causa de uma falsa moralidade é cruel, a gente pode sim ter dois carrinhos, não precisamos magoar ninguém, nem passar por cima de nada, muito menos ser um filho da puta. Amor é vida, é equilíbrio, é o combustível desse carrinho, e se tem amor, por que deixa-lo estacionado?
Podemos sim ter tudo o que quisermos,  não há necessidade de ter tanta complexidade. Mas se eu não posso estar no mesmo carrinho que o seu, que pelo menos, às vezes,  você venha visitar o meu, e que isso não atrapalhe nosso trilhar, porque a vida é assim, quem está do lado de fora do carrinho queria estar dentro, não podemos ter medo das descidas porque as subidas valem a pena.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Haicai I - O Amor segundo minha haicaica


No ar-
Com a ponta do dedo
Desenho seu nome

*
Portas da alma
Pelos seus olhos de amêndoa-
Vi a doçura 

*
Manhã de sol-
Reflete na janela
O brilho do nosso amor

*
Vida passageira-
Cada segundo ao seu lado
É infinito

*
Tarde luminosa-
Meu coração descompassou
Com nossa prosa





quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Beija-flor, a Flor, o Botão e a Acerola.



Beijo beijo
Beija-flor
Beija a flor
Sua flor

Beijo beijo
Beija-flor
Beija a flor
Sua flor

Beijo beijo
Beijo amor
Beijo de cor
Beijo de céu

De tanto beijar
Se embalaram
Em uma cama
E surgiu um botão

Botão de flor
Flor de acerola
Que cai no chão
Colorindo nossa paixão



(Nathally Amariá)



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Transmutação

     O que está em mim, está em você, e essa transmutação cósmica que subverte qualquer fator físico concreto, completa esse buraco negro que existe dentro de mim, esse buraco negro que faz meu estomago ferver e borbulhar de tanto te amar.
      Essa telepatia, apatia, sintonia que sentimos, nos completa como seres mágicos viventes em um grande espaço metafísico e quântico e sideral que faz com que nos comuniquemos mesmo não estando fisicamente perto. Porque não importa onde estejamos, sempre estaremos perto, sempre um dentro do outro, sempre queimando e ardendo feito lava que derrete a terra transformando tudo em uma gigantesca cratera de gelo. Gelo sim, o gelo, não somos frios feito gelo, mas temos essa resistência, insistência, transcendência em querer viver aquilo que é fantástico como um unicórnio cor de rosa andando pelas ruas da cidade.
        Nosso corpo, nossa pele, nossa temperatura, tudo se resume  em um átomo, um átomo denso, feito leite condensado que escorre pelas nossas bocas fazendo nossas vidas serem mais doce. E assim seguimos, juntos, alheios, sem meios, a esmo, esquecidos nesse mundo de caos. 

Imagem: Google

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

OFICENA em... Auto da Compadecida!

Nesse último domigo (17/11) o OFICENA (Curso Livre de Teatro de Cabo Frio) estreou "O Auto da Compadecida" de Ariano Suassuna. Direção de Ítalo Luiz Moreia e Jiddu Saldanha / Preparação Corporal: Gabriela Assumpção.




     "Auto da Compadecida! O julgamento de alguns canalhas, entre os quais um padre e um bispo para exercício da moralidade."
     E assim começa uma história de amizade, generosidade e dedicação, não estamos apenas falando da peça e sim de seu processo.
     Poder dividir e compartilhar momentos de alegria, desespero, entusiasmo, esperança etc, foi estupendo, digno de reconhecimento.
     Foi um processo longo, nosso querido 2013, foram horas de leitura de mesa, dinâmicas de improviso e madrugadas de ensaios.
     Agradeço aos alunos e aos nossos mestres por nos ter proporcionado momentos tão importantes e decisivos para nossa vida.
     Eu, Nathally Amariá, um ser humano que ama a arte e se expressa por ela, amo e sou o OFICENA.


  




 Um pouquinho sobre o OFICENA e sobre o Auto da Compadecia. 

















Ensaio geral
Ensaio Geral (Nosso último passadão) 


Procissão

O Encourado e suas 3 faces (Kériun-Hapuk Andrav, Nathally Amariá e Vania Petra)

Segue um pequeno vídeo contando o processo e o resultado.


Vida longa ao nosso espetáculo, Vida longa ao OFICENA!


OFICENA